quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coisas que me fazem chorar.

"E uma coisa eu posso lhe jurar, porque foi algo que vi muitos anos depois — uma visão da própria roubadora de livros: quando se ajoelhou ao lado de Hans Hubermann, ela o viu levantar-se e tocar o acordeão. Ele se pôs de pé, prendeu o instrumento no corpo pelas alças, nos Alpes de casas destroçadas, e tocou o acordeão com seus olhos prateados de bondade, e até com um cigarro pendendo dos lábios. Chegou mesmo a cometer um erro, e riu, numa rememoração encantadora. Os foles respiraram e o homem alto tocou para Liesel Meminger pela última vez, enquanto o céu era lentamente tirado do fogão."


Trecho de "A menina que roubava livros", de Markus Zusak

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vontade.

Não é nada fácil entender o que acontece com alguém. O que transforma o sentimento, o que se desfaz com o tempo. É difícil viver no silêncio. Quando a única vontade é gritar...
Gritar para o mundo.
Gritar o amor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Metade.

Tudo em mim é metade, desacordo entre as partes, um quase querendo ser todo, um olho que não entende ser dois, cabeça adulta, pensando criança, coração adulto, sonhando pequeno. Todo eu sou metade, distância entre as partes, falta saber-me, falar-me, não conheço ponte, mesmo vivendo em metade, um tanto carinho, um tanto amizade, num dia reencontro, no outro saudade, todo eu sou metade. Desacostumo a ser pleno sabendo ser certo que quando sou metade é que estou completo.
Tudo em mim é metade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dois corpos.




A curvatura do corpo, o outro corpo que se lhe encaixa, o toque do peito nas suas costas, o braço onde repousa a cabeça, o queixo áspero que brinca em seu ombro. O calor que os dois corpos juntos geram, o sono que enfim chega, descanso, alheamento, sentimentos que se pacificam, defesas que se recolhem, memórias que retornam.